MENU

MENU

CICLOS FORMATIVOS – GPEP NO KINO BEAT

O Grupo de Pesquisa em Ecologia das Práticas (GPEP) – da AAPH (Associação de Pesquisas e Práticas e Humanidades) propõe, junto ao Festival Kino Beat, um programa formativo com três ciclos de conversas para aprofundar o debate conceitual e a reflexão sobre algumas das obras e propostas estéticas do festival. Os ciclos formativos, chamados Cosmopolíticas, Interferências e Reconciliações, acontecem nos meses de setembro, outubro e novembro. Cada um desses ciclos propõe uma série de mesas redondas que relacionam os conceitos que os nomeiam ao tema do festival e a questões do contemporâneo. Artistas do festival participarão para trazer sua perspectiva e poética para essas conversas.

Os Ciclos Formativos serão online, com live streaming através do canal do Kino Beat no YouTube.

PROGRAMAÇÃO

COSMOPOLÍTICAS – 23/09 – 07/10

O primeiro ciclo propõe pensar a coexistência de diferentes mundos em um mesmo mundo. As comunicações investigam o conceito de cosmopolítica que, como trabalhado no âmbito do pensamento ecológico por pensadores como a filósofa da ciência Isabelle Stengers e a antropóloga Marisol de la Cadena, enseja o debate sobre as convivências e contaminações entre diferentes cosmovisões: da ciência, da arte, da filosofia, do pensamento de povos originários e dos modos de existência de outros seres. Diante do desaparecimento e extinção de tantas culturas, linguagens e formas de vida, se torna urgente criar mundos comuns.

Atividade 1 – 23/09 – 18h – Cosmopolíticas, Interferências e Reconciliações

Participantes: André Araujo, Ana Letícia Meira Schweig, Emília Braz, Fernando Silva e Silva, Júlia Gonçalves, Léo Tietboehl, Luísa Muccillo

Assista: https://www.youtube.com/live/4UV13QoVtRs?si=e7iVr7bw9PwKR6zo

Nesta atividade de abertura da participação do GPEP no Festival Kino Beat, os membros do grupo de pesquisa apresentam um vocabulário em comum/incomum para aproximar e distanciar as noções que guiam a atividade formativa. 

Com o conceito de “Cosmopolíticas”, enfatizamos a necessária coexistência de diferentes modos de pensamento frente aos problemas de nossa contemporaneidade. Para desfazer a expectativa puramente racional da ciência, a relacionamos à política, à arte e ao pensamento de cosmovisões menos ocidentalizadas e humanas. 

Já “Interferências” enfatiza a forma como os limites entre estes campos são ultrapassados em um mundo que comporta em si muitos e outros mundos. Trata-se de entender que há muito da ciência em outros modos de pensamento tanto quanto outros modos de pensamento na ciência. Os aparentes limites são porosos, afetados, contaminados. Como reconciliar as complexas relações dessa coexistência entre diferentes modos de ver o mundo – ou, indo além, de diferentes mundos em um mesmo mundo?

“Reconciliar”, então, propõe um posicionamento que não seja passivo frente a tragédia ecológica vindoura; no lugar disso, cogita o movimento ao mesmo tempo pragmático e fabulativo de ensaiar outras sensibilidades, outras formas de produzir conhecimento e outras relações ontológicas com “paisagens arruinadas” – sem as quais não podemos pensar a continuidade da vida humana e não humana. 

Atividade 2 – 25/09 – 19h – Fantasmas, máquinas e bichos: desafios cosmopolíticos

Participantes: Leandro Lima, André Araujo, Fernando Silva e Silva

Assista: https://www.youtube.com/live/48BZQATnljk?si=UcaqAZ8hNpqz0nHG

Nesta conversa com o artista Leandro Lima, falamos sobre como suas obras empregam diversas técnicas que confundem o orgânico e o inorgânico; presente, passado e futuro; o virtual e o material. Fernando Silva e Silva e André Araujo invocam os fantasmas, máquinas e bichos que circundam a obra de Lima para pensar os muitos desafios cosmopolíticos presentes nos encontros inesperados e impossíveis suscitados pelo artista. O que essas convergências podem nos revelar das distopias e utopias contidas em nosso presente? Como projetar no futuro aquilo que já desapareceu?

Atividade 3 – 07/10 – 17h – Cuidar do Pluriverso: a Persistência dos Mundos

Participantes: Marisol de la Cadena, Alyne Costa, Fernando Silva e Silva

Assista: https://www.youtube.com/live/Ywy1tW3w_HE?si=J821cSFpR7dNLuPZ

A antropóloga Marisol de la Cadena e a filósofa Alyne Costa são expoentes do debate contemporâneo sobre cosmopolíticas, o encontro entre mundos e os conflitos e alianças entre saberes diversos. Nesta conversa, mediada por Fernando Silva e Silva, falaremos sobre as origens e limites da ideia de cosmopolítica, e os conceitos de pluriverso e mundificação. Levaremos em consideração não apenas os encontros entre mundos indígenas e não indígenas, mas também os muitos lugares onde esses choques ontológicos podem ser percebidos em nosso dia a dia, seja nas sobreposições entre disciplinas científicas diversas, ou quando levamos em consideração modos de vida animais ou mesmo inorgânicos. 

 INTERFERÊNCIAS – 2 e 3/11

Interferências aborda relações, ressonâncias e movimentos que se produzem nos intervalos entre sonhos, ficção e realidade, cujos rastros só se mostram às percepções atentas. Tomando o sonho como material, nosso percurso prevê um itinerário que atravessa oceanos, fronteiras e vias interplanetárias para imaginar mundos possíveis e impossíveis. Além disso, em diálogo com as atividades de intercâmbio da Residência Artística “Portos Conectados: Construindo Mundos Digitais e Encontros em Porto Alegre e Liverpool”, refletimos sobre como os mundos digitais interferem e são interferidos em nossos mundos materiais.

Atividade 1 – 02/11 – 19h – SONHAR IMAGENS, NARRAR UTOPIAS

Participantes: Léo Tietboehl, Filippo Aldovini do Coletivo FUSE 

Assista: https://youtu.be/ZWu0jpi59ys?si=TbQOUyRph3BstPws

As formulações freudianas sobre os processos oníricos representam uma retomada dos modos modernos quando reinventam as maneiras de os interpretar e, principalmente, de entender os usos dessas interpretações para a vida cotidiana. Freud, apesar de vincular a maior parte de suas colocações sobre o sonho a um âmbito mais individual, não tinha uma intenção explícita de limitar – deliberadamente, ao menos – suas repercussões apenas a essa dimensão. 

O esforço de enfatizar a dimensão mais coletiva das produções oníricas (ao menos no que se explica sobre a origem de suas narrativas) se mostra mais nas continuidades da sua escola. Ainda assim, parece que o interesse nas implicações políticas dos sonhos, que considera não apenas suas origens, mas também as suas consequências coletivas – isto é, o que estes podem engendrar para uma comunidade, inclusive no sentido de uma invenção de mundos possíveis –, não é algo tão evidente nas formulações psicanalíticas. 

Nesta roda de conversa, contamos com a participação do Coletivo FUSE para, olhando para o que provoca sua Instalação ONIRICA, pensar sobre as utopias comuns que o sonhar pode produzir.

Atividade 2 – 03/11 – 18h – HABITAR MUNDOS VIRTUAIS E MATERIAIS

Participantes: Fernando Silva e Silva, Luísa Muccillo, Gabriel Cevallos, Henrique Fagundes e Trojany

Assista: https://www.youtube.com/live/zkBp6PkX1tY?si=xCxEKhcVw6E7SUv1

Nesta conversa, o GPEP dialoga com a organização e artistas da Residência Artística Portos Conectados para compreender os mundos criados na investigação artística e conceitual da Residência. Mesclando questionamentos sobre os entrecruzamentos entre o digital e o físico, a Residência nos estimula a pensar sobre a matéria de que esses mundos são feitos. O digital possui uma complexa materialidade que o sustenta – cabos, antenas, servidores, data centers, satélites – ao mesmo tempo em que a nossa vida cotidiana é constantemente afetada pelo que circula no ambiente virtual.

RECONCILIAÇÕES – 5/11 a 11/11

No terceiro e último ciclo, pensamos sobre as possibilidades de reconciliação com legados, matérias e paisagens tóxicas que têm efeitos ambíguos e muitas vezes inesperados. Com os modos de vida modernos, se proliferaram áreas de contaminação onde substâncias químicas afetam as delicadas relações entre planeta terra e seus habitantes. Observando paisagens contaminadas, nos perguntamos quais são, e se realmente há, limites entre ambiente e organismo, puro e impuro, interno e externo. Da poluição nas águas ao microplástico em nossos corpos, precisamos reconsiderar as promessas de futuros limpos. 

Atividade 1 – 05/11 – 19h – A PROMESSA DOS MONSTROS: DAS TOXICIDADES QUE NOS HABITAM 

Convidados: Lino Arruda e Sofia Favero

Mediação: Emília Braz e Luísa Muccillo

Assista: https://drive.google.com/drive/folders/1Zl6Sm6TQal2EB181csE-uByLWKqxQ4IO?usp=sharing

Nesta conversa, refletimos sobre as im/possibilidades conceituais, teóricas, epistemológicas e práticas da noção de monstruosidade. Trata-se de uma categoria ambígua: por um lado, sua história revela as práticas hierarquizantes e desumanizadoras, por outro, ela remete aos emaranhamentos indispensáveis para todas as formas vida. 

A partir deste ponto, nos perguntamos: quais as promessas monstruosas das toxicidades que nos habitam? Ao nos remetermos à toxicidade, pensamos ela literal, com o objetivo de pensar a realidade material na qual vivemos, e metaforicamente, em relação às concepções de mundo tóxicas que autorizam práticas de violência e desumanização. Na intersecção entre estudos trans, arte, ciência e fabulação, essa conversa investiga possíveis respostas ao presente contexto, sem contudo reinserir lógicas puristas em nossas práticas artísticas, acadêmicas e políticas.

Atividade 2 – 10/11 – 19h – ECOLOGIAS HÍBRIDAS: LEGADOS E FUTUROS EM PAISAGENS TÓXICAS

Convidados: Dongni Liang, Sophie Rogers, Lena Daems e Frederick (Daems Van Remoortere)

Mediação: Emília Braz e Luísa Muccillo

Assista: https://drive.google.com/drive/folders/1izLuNmgIUDH45HLmZDp5rwkx3lAljlYL?usp=sharing

“Reconciliações”, convida-nos a refletir sobre as possibilidades de reconciliação com legados, materiais e paisagens tóxicas e seus efeitos ambíguos e inesperados, com ênfase na proliferação de substâncias químicas que afetam as relações entre o planeta Terra e seus habitantes. Com base na noção de paisagens contaminadas, a discussão abordará quais são — ou se de fato existem — os limites entre ambiente e organismo, puro e impuro, interno e externo. Queremos investigar como dispositivos artísticos podem intervir nas percepções estéticas e sensoriais dessas paisagens.

Atividade 3 – 11/11 / 19h – O que significa reconciliar? – AO VIVO

Convidados: André Araujo, Ana Letícia Meira Schweig, Emília Braz, Fernando Silva e Silva, Júlia Gonçalves, Léo Tietboehl, Luísa Muccillo

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=51JuJXodky0&list=PLCWrMOKXzGt-ltTJyQQMddSiHdAPR_Qp2

Encerrando o percurso dos Ciclos Formativos, esta mesa propõe um gesto reflexivo e especulativo sobre o próprio sentido de “reconciliar”. Ao longo das atividades, transitamos entre cosmopolíticas, interferências e toxicidades, explorando as porosidades entre ciência, arte e política, bem como as múltiplas formas de perceber e compor relações cada vez mais complexas e implicadas.

Neste encontro final, os membros do GPEP se reúnem para pensar as possibilidades de reconciliação que emergem do desafio de habitar paisagens contaminadas, reconhecendo os legados materiais e simbólicos dessa convivência. Pensar em práticas de reconciliação, aqui, não significa recorrer ao saudosismo de uma natureza intocada ou a um ideal de harmonia perdida, mas sim acolher as ambiguidades, contradições e impurezas que nos constituem e atravessam.

Reconciliar, portanto, é um exercício político e sensível de convivência com aquilo que é irredutivelmente múltiplo — um gesto de cuidado que reconhece nas ruínas e nas contaminações não apenas sintomas de crise, mas também possibilidades de continuação e fabricação de futuros compartilhados.