A exposição é uma realização conjunta do Kino Beat, Instituto Cervantes de Porto Alegre, Instituto Estadual de Artes Visuais (IEAVi), e zardoz.club, e acontece na Galeria Augusto Meyer do MACRS, na Casa de Cultura Mario Quintana.

A exposição é uma realização conjunta do Kino Beat, Instituto Cervantes de Porto Alegre, Instituto Estadual de Artes Visuais (IEAVi), e zardoz.club, e acontece na Galeria Augusto Meyer do MACRS, na Casa de Cultura Mario Quintana.

Aproximados pela nacionalidade espanhola em comum dos artistas, os trabalhos reunidos nesta mostra não se limitam às fronteiras de um país. O meio digital que serve de suporte e ferramenta de criação para as obras existe em estruturas físicas e virtuais descentralizadas, indiferentes a limites nacionais. É possível, contudo, pensar em referências ligadas à história, à cultura e à geografia espanhola nas produções.

Através do pixel, do código e da renderização 3D, algumas obras fazem emergir padrões, geometrias e cores que podem sugerir traços de uma herança mediterrânica, ligada à luz, à paisagem e ao mar. Esses aspectos não desaparecem diante das tecnologias, mas encontram nelas outras formas de registro e percepção.

Após o fim do regime franquista, a Espanha viveu, em meados dos anos 1980, uma transformação cultural intensa, que ficou conhecida como Movida Madrileña. Apesar do nome e de sua forte concentração em Madri, seus efeitos se espalharam por outras partes do país. Nesse cenário de abertura, chegaram também os primeiros computadores pessoais e videogames, recebidos com o mesmo entusiasmo que marcava a música, o cinema e a moda. Esses dispositivos passaram a integrar o cotidiano de uma geração que começava a explorar outras formas de criar, comunicar e imaginar futuros.

Os artistas selecionados, em sua maioria nascidos entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, cresceram no rastro da Movida. Suas poéticas herdam a energia de experimentação desencadeada por ela, reelaborada e adaptada à cultura digital do século XXI.

Organizadas a partir de dois modos de representação da imagem, a abstração e a figuração digital, as obras exploram a imagem sintética por meio de formas, glitches e tonalidades, assim como pela reconstrução e deslocamento de personagens, objetos e paisagens. Em diferentes graus, uma tensão atravessa as criações, entre alusões associadas a um contexto espanhol e temas e práticas que circulam globalmente, ressaltando a possibilidade de reconhecer uma origem particular em imagens que, ao mesmo tempo, pertencem a um campo compartilhado.

Tales Tommasini e Gabriel Cevallos
Curadores

Coleção zardoz.club

zardoz.club é uma galeria de arte, um laboratório curatorial e uma coleção dedicada à interseção entre arte e tecnologia. Fundado em 2020 pelo gaúcho-espanhol Tales Tommasini, o projeto iniciou como um espaço de curadoria e exposições virtuais de arte digital. Em 2025, o zardoz.club expandiu-se para o mundo físico com exposições itinerantes entre Madri e Barcelona. Em 2026, inaugura seu primeiro espaço expositivo em Porto Alegre.

https://www.zardoz.club/

Anna Carreras

Anna Carreras (Barcelona, 1979) é programadora criativa e artista digital, focada no uso de algoritmos generativos, código criativo e tecnologia interativa como meios de comunicação e geração de experiências.

Interessa-se pela complexidade que surge de comportamentos simples e pelo equilíbrio entre ordem e caos, buscando capturar essa riqueza por meio de obras abstratas e geométricas.

Palavras da artista: “A série Morena é uma exploração visual surgida na ilha de Menorca, com foco no conceito de fragilidade. Essa jornada captura a sensação vulnerável de pular em águas abertas e registra a luz, os movimentos e as paisagens da ilha.

A série retrata uma fragmentação visual recursiva inspirada pela luz do sol, areia, ar e algas dançando com as correntes submersas. Erros visuais emergem entre as fraturas enquanto um pincel codificado sob medida quebra intuitivamente as formas.

As cores são inspiradas tanto em paisagens subaquáticas quanto no cotidiano. Imagens abstratas capturam o movimento das ondas ao atingir a costa, rochas despedaçadas pelo mar, areia se acumulando na praia e o ritmo cíclico da vida.”

 

Raúl Berrueco

Raúl Berrueco (Santander, 1977), também conhecido como VJ Entter, é artista visual formado em Belas Artes pela Universidade do País Basco. Reconhecido por seu olhar voltado aos gráficos retrô de arcades e aos videogames lo-fi, como Commodore 64, Sinclair ZX Spectrum, NES e Game Boy, experimenta com glitches, cultura trash, algoritmos visuais e random scripting.
P0L1 Canyon é uma série de nove vídeos, resultado de experimentos de ROM hacking realizados por Entter em 2007 sobre o videogame japonês Attack Animal Gakuen (1987).

Cada vídeo é acompanhado de trilha original composta pelo artista sonoro Mario Durán. A técnica parte da edição direta dos dados binários do cartucho, por meio de um editor que permite manipular os elementos visuais do jogo (sprites).
Nas primeiras intervenções, Entter alterou manualmente os sprites, mantendo o título plenamente jogável. Nas versões seguintes, sobrepôs dados aleatórios diretamente ao código do jogo, gerando erros de execução e glitches severos num processo de destruição progressiva do original.

 

Elena Juárez

Elena Juárez (Valência, 1981) é artista visual e de novas mídias radicada em Madri, que trabalha na interseção entre tecnologia, interatividade e criação audiovisual ao vivo. Sua prática abrange gráficos generativos, instalações interativas e composições visuais para músicos, companhias de dança e teatro, designers e instituições de arte.

Seu trabalho parte do interesse em transformar o espaço, físico e conceitual, por meio de composições geométricas e narrativas abstratas. O som tem papel central em seu processo, ligado a parâmetros programados que permitem a criação audiovisual em tempo real. Sua abordagem explora formas pelas quais o som pode ser visto e a imagem pode ser ouvida, unindo programação e experiência sensorial. Formada em Belas Artes, com especialização em mídias visuais, dedica-se às tecnologias experimentais e digitais na performance e na instalação.

Além de sua prática artística, atua na educação e na partilha de conhecimento. Leciona tecnologia e interatividade no IED Madrid e conduziu palestras, cursos e oficinas em instituições como o Réplika Teatro e a Universidade Politécnica de Madri (UPM). Também é curadora de ciclos de novas mídias na La Casa Encendida.

 

Poperbu

Jordi Sala Serra, conhecido como Poperbu (Mataró, Barcelona, 1979), é engenheiro de redes, artista e maker/hacker, com atuação na fronteira entre tecnologia, arte e cultura digital. Sua prática abrange arte generativa, tecnologias abertas e experimentações que combinam hardware e software.

Seu trabalho explora as tecnologias abertas, de hardware e software, e as formas de relacioná-las com a criação artística e o acesso democrático ao conhecimento.

Sua abordagem une engenharia e sensibilidade artística, investigando como sistemas, código e dispositivos podem se tornar linguagem poética e ferramenta de experimentação.

Além de sua prática individual, é membro fundador do MobilityLab.net, plataforma criada em 2011 com Efraín Foglia e dedicada à interação digital e à pesquisa crítica sobre a mobilidade. Por meio de projetos colaborativos, oficinas e pesquisas, atua também sobre o uso social das tecnologias.

 

gozo

gozo (Sergio Valdivieso, Alicante, 1974) é artista espanhol cuja prática abrange abstração e figuração, com meios como 3D e inteligência artificial (IA) na criação de obras digitais.

Seu trabalho explora a materialidade digital e seus limites: como a imagem se comporta, se multiplica e se transforma no espaço virtual. Seu processo é marcado por imagens simbólicas em movimento cíclico, construídas em fluxos de trabalho que unem modelagem 3D, IA generativa e reflexão sobre a natureza do arquivo digital.

Além de sua prática individual, gozo integra o circuito internacional de arte digital, expondo em plataformas e espaços dedicados a práticas contemporâneas, com atenção à criatividade mediada por algoritmos e aos novos modos de existência da obra de arte no mundo digital.

Víctor Arce

Víctor Arce (Barcelona, 1990) é artista e educador radicado em Barcelona, que trabalha na interseção entre arte digital e estéticas dos primórdios da internet. Sua prática abrange composições gráficas coloridas, GIFs, objetos 3D e colagens digitais permeadas por nostalgia tecnológica.

Seu trabalho transforma a memória visual da era digital (ícones, janelas de navegador, cursores e erros de tela) em paisagens oníricas e misteriosas, que convidam o espectador a completar a experiência com suas próprias interpretações.

Sua abordagem situa-se entre o glitch art e o vaporwave, explorando a estética retrofuturista e a “nostalgia como limitação”, a partir da restrição de ferramentas e linguagens antigas. Participou de exposições e curadorias ao redor do mundo e criou trabalhos visuais para clientes como WeTransfer, Apple, Nike, Forbes e The New York Times.

 

Serviço:
Abertura: 22/10, às 18h
Onde: Galeria Augusto Meyer - IEAVi, 3º andar da CCMQ (Rua dos Andradas, 736,
Centro Histórico de Porto Alegre)
Visitação: Até 29 de novembro (de terça-feira a domingo, das 10h às 19h)
Entrada gratuita